Lamento
Até quando conseguiremos viver neste constrangimento que nos é imposto pela valorização excessiva do aspecto exterior face ao que possuímos no nosso íntimo?
Durante quanto tempo é que vamos permitir que nos julguem pela marca, a moda, os trapos?
Será que a humanidade não consegue ir mais além do que isto? Os milhares de anos que temos para trás só nos trouxeram até aqui, a um beco sem saída, governados por empresas que querem cada vez mais que o dinheiro só sirva para prazeres mundanos, necessidades desnecessárias? Estamos já tão intimamente formatados de modo a aceitar este modo de “vida” sem reagir, sem dar um murro na mesa, sem dizer “este não é o meu caminho, eu prefiro ir noutra direcção”?
Não que ser naturista me torne obrigatoriamente melhor que outros. Sou sujeito aos mesmos erros, mesmos enganos e falhas. Mas pelo menos tento, quando olho para uma pessoa, ver para além do que ela aparente pelo exterior. Porque sei que as roupas não são nada, porque estou habituado a estar com outras pessoas sem fronteiras e barreiras pelo meio. Porque para me mostrar tenho de me libertar primeiro de preconceitos que me tolhem a liberdade de pensar.
Eu quero outro caminho para mim. E acho que, se seguido por mais gente, o mundo poderia mudar um pouco.
