Naturalmente Livre

Um blog onde se podem trocar vivências nudistas e naturistas, partilhando-as com toda a comunidade. Uma forma natural de ser livre... Livre para todos colocarem o seu post. Basta enviá-lo para naturalmente_livre@hotmail.com.

Quarta-feira, Julho 27, 2005

Lamento

Até quando conseguiremos viver neste constrangimento que nos é imposto pela valorização excessiva do aspecto exterior face ao que possuímos no nosso íntimo?
Durante quanto tempo é que vamos permitir que nos julguem pela marca, a moda, os trapos?
Será que a humanidade não consegue ir mais além do que isto? Os milhares de anos que temos para trás só nos trouxeram até aqui, a um beco sem saída, governados por empresas que querem cada vez mais que o dinheiro só sirva para prazeres mundanos, necessidades desnecessárias? Estamos já tão intimamente formatados de modo a aceitar este modo de “vida” sem reagir, sem dar um murro na mesa, sem dizer “este não é o meu caminho, eu prefiro ir noutra direcção”?
Não que ser naturista me torne obrigatoriamente melhor que outros. Sou sujeito aos mesmos erros, mesmos enganos e falhas. Mas pelo menos tento, quando olho para uma pessoa, ver para além do que ela aparente pelo exterior. Porque sei que as roupas não são nada, porque estou habituado a estar com outras pessoas sem fronteiras e barreiras pelo meio. Porque para me mostrar tenho de me libertar primeiro de preconceitos que me tolhem a liberdade de pensar.
Eu quero outro caminho para mim. E acho que, se seguido por mais gente, o mundo poderia mudar um pouco.

Segunda-feira, Julho 25, 2005

Sob o luar

Cinco amigos acabam a noite... Passeio pelos bares algarvios, um copo aqui, uma conversa ali, bom ambiente, pessoas animadas. Chega às quatro da manhã e decidem voltar para o aldeamento onde estão alojados. Não apetece ir para a cama, o speed ainda é muito, o sono vem longe.
“E se fôssemos dar um mergulho à piscina?” diz um.
À noite, sem mais ninguém, tudo por nossa conta... como dizer que não?
Fomos para os quartos mudar para os fatos de banho, que o calor da noite convidava a um mergulho. Os primeiros que chegam entram logo, mergulham no silêncio da noite na água que apetece. Quem se demorou mais não fica atrás... Passam uns minutos.
“Sabem que tomar banho sem roupa é muito melhor?”, pergunto. Um já tinha experimentado e concorda, os outros não. Não espero. Tiro os meus calções e deixo-me envolver pela carícia da água, sem nada pelo meio. Reparo que todos fazem o mesmo. Provavelmente para alguns será a primeira e última vez que o fazem. Para mim é um przaer que infelizmente não consigo repetir muitas vezes. Mas naquela noite, sob o luar algarvio, fui quem sou, sem me dar a conhecer... e soube bem.

Texto enviado por SN.

Sexta-feira, Julho 22, 2005

Um almoço só

Vou almoçar não tarda.
Como está um dia lindo, com um sol bem quente, sei que vou para uma esplanada num jardim. Há um lago ao pé. Almoço calmo, sem pressas, a saborear a refeição, a brisa a atravessar as ramagens, o barulho da água...
Tudo convida à reflexão, ao desprendimento, à paz.
Que pena não poder saborear tudo isto em pêlo...

Quinta-feira, Julho 21, 2005

A minha primeira vez

A primeira vez que nos despimos em público é sempre marcante...
A minha aconteceu na praia (onde mais havia de ser).
Sou lisboeta, frequentador das praias da Costa. Uma das coisas que gosto de fazer na praia é passear, muito. Ir da Costa à Fonte da Telha, pela beira-mar, não é um sacrifício, é um prazer...
Obviamente fazer esse percurso levou-me várias vezes a atravessar a zona nudista. Devo ter passado por mirone muitas vezes, mas na verdade eu queria era ficar por ali. Só que sendo menor e com os pais várias praias ao lado, isso não era muito fácil.
Houve uma cena que me ficou na memória desses passeios, um pai a jogar com um filho, com as raquetes. Nus os dois. O mais natural possível. Aquilo que qualquer pai faz com um filho.
Eu queria estar ali. Banhos de sol através da janela de casa, estar nu só quando a casa estava vazia, tudo isso não me era suficiente...
Os anos passaram. Cresci. Tornei-me mais indepedndente. E finalmente pude realizar o meu sonho.
Um dia peguei no carro, deixei-o na Bela Vista e lá me pus a caminho. Uma toalha, um livro, a roupa que tinha no corpo. A escolha de um lugar mais junto às dunas, mais "abrigado" (sim, ainda havia alguma vergonha). E uma manhã passada em liberdade, sem nada entre mim e a natureza. Não foi perfeita. Não fui ao banho, com medo que me roubassem as chaves do carro e eu tivesse de explicar onde estava em casa (os medos nunca nos abandonam). Mas foi a primeira. E não a última...

Escondido

A nudez nem sempre é bem vinda.
Traz sempre consigo um grupo grande, usualmente chamado de "preconceitos".
Porque é sinónimo de sexo, costuma logo ser o primeiro deles. Como se o ser humano fosse um ser irracional, motivado apenas por instintos (básicos). Como se as roupas fossem o garante de segurança de todos nós, a última barreira entre a decência e a barbárie. Como se a visão fosse o único sentido a comandar o desejo e as emoções não tivessem significado. Pessoa nua = sexo é a equação que muitas mentes reconhecem como verdade última e universal.
Vem depois a famosa vergonha. Este é um preconceito mais pessoal, interiorizado dentro de cada um de nós desde a nossa infância. Advém certamente do anterior, mas vais mais fundo. Essencialmente tem a ver com o modo de vida actual, em que o exterior e a aparência é o supra sumo do que conseguimos ver. Se temos vergonha que nos vejam, como olhamos nós para o nosso ser? Será que "com umas roupitas (de preferência de marca) ainda disfarço, mas sem elas não sou ninguém válido"?
Para ajudar sentimento interior, a visão do mundo que nos rodeia não ajuda em nada. Nudismo tudo bem (quando é assim já não é mau), mas em sítios bem delimitados, de preferência onde não seja muito fácil chegar, tendo como bónus mirones que se regem pela equação do primeiro ponto. Ou á procura do engate (porque será que se pensa que uma pessoa nua é mais facilmente "engatável" que uma vestida?).
Não quero impôr a minha filosofia a ninguém, sei reconhecer que só a posso practicar enquanto não chocar com as vivências dos outros. Mas porquêm imporem-me filosofias que não partilho?
E aí escondo-me...

Texto enviado por AR.

Sol

Está um lindo dia de sol lá fora...
Dia de praia, de sentir a areia nos pés, o sol a bater no corpo, a brisa atravessando-me e deixando um rasto da sua frescura.
O brilho amarelo reflectido nas pequenas ondas do mar azul, imenso, a calma que baixa o calor que sentimos.
Com um livro na mão e uma toalha onde me deitar, mais não é preciso para viver umas horas de puro prazer, vividas como no paraíso. Sem constrangimentos nem preconceitos, sem barreiras, sem concessões à moda, ao "fashion". Naturalmente. E livre. Como nascemos, mas cada vez mais longe do modo como vivemos.
Fechado numa sala, mais não posso que sonhar com este prazer.
Até o concretizar... para isso inventaram os fins de semana :-)

Até breve.

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